Corrida no Montijo. Só se pedia mais respeito!
Corrida do Montijo
Celebração dos 20 anos de alternativa do Cavaleiro Gilberto Filipe
Voltei depois de 3 anos a uma corrida de toiros. Acreditem que ia com grande entusiasmo, depois do COVID, situações pessoais e até desânimo, voltar a um meio que tanto amo, fez com que a expectativa estivesse no auge.
Ao chegar à praça, pelas 16:00, fiquei preocupada, achei que o ambiente envolvente estava fraco e pensei que o mesmo de reflectisse na corrida.
Entrei na praça às 16:10, bancadas ainda despidas de público, o horário da corrida (17h) foi se aproximando e o público começou a dar vida aos sectores da praça Amadeu Augusto dos Santos, nestes dias ouvi alguns comentários nas redes sociais que a corrida começou e haviam muitas pessoas na rua, disseram inclusive que as portas abriram muito tarde, terei aqui que repor a verdade, a praça abriu portas uma hora antes, o problema é as pessoas esperam sempre até à ultima para entrar.
Em praça nesta tarde de calor que se fez sentir no passado domingo (30 de junho) estiveram os cavaleiros João Moura, António Telles, Luís Rouxinol, Gilberto Filipe, Miguel Moura, Luís Rouxinol Jr e António Telles Filho, um concurso de ganadarias, onde marcaram presença as ganadarias Cunhal Patrício N°8 com 500kg, Canas Vigouroux N° 136 com 545kg, António Silva N°16 com 530kg, Murteira Grave N° 67 com 500kg, Sommerd' Andrade N°20 com 565kg, Manuel Veiga N° 125 com 465kg e por último, São Martinho N° 40 com 470kg.
As pegas estiveram a cargo dos Amadores da Tertúlia Tauromaquica do Montijo e Amadores do Montijo.
Tivemos o gosto e privilégio de ver os campinos António José e Fábio Rocha na recolha dos toiros aos curros.
Estavam em disputa os prémios para melhor lide a cavalo, troféu José Samuel Lupi.
Prémio para a melhor pega, troféu José Luís Horta (Maxinó).
Por estes primeiros parágrafos acredito que estejam entusiasmados para o que virá depois, tínhamos os ingredientes para uma corrida de encher o gosto de qualquer aficionado, contudo não foi isso que se passou.
Acreditem que a nível técnico há pouco para escrever, visto que a entrega dos cavaleiros foi muito pouca, uma corrida onde temos três Maestros como João Moura, António Telles e Luís Rouxinol o nosso nível de exigência já atinge níveis superiores.
Os três não estiveram mal, contudo não estiveram como se exigia que estivessem.
Quem assistiu viu lides frias e sem sal como se diz na gíria, foram ali ganhar o deles e pouco mais fizeram.
Gilberto Filipe (extraordinário equitador) contudo não enche as medidas como cavaleiro, também ele nao esteve mal, contudo marcou presença e nao deixa saudade.
Miguel Moura, acabou por se apresentar com a chama apagada, parecia estar a "medo", já vi lides do Miguel que foi bem patente a sua garra, a sua dedicação e a sua entrega, nada disto se viu no domingo no Montijo.
Nota muito positiva para Luís Rouxinol Jr e António Telles Filho, ambos mostraram que a juventude está a dar cartas, entregaram brio e dedicação às suas lides, destemidos e com vontade, cativaram o público e foram eles a mandar nas lides.
Foi um gosto ver dois miúdos, que bonitas linhas ainda têm para escrever.
Uma vez que falamos de lides a cavalo, revelo que o prémio da melhor lide foi entregue a Gilberto Filipe, enquanto aficionada, sinto que foi uma prenda que lhe deram pela tarde "ser sua" e não propriamente por mérito.
O prémio era muito bem entregue a António Telles filho, que como disse anteriormente esteve de boa nota assim como Luís Rouxinol Jr, contudo o António conseguiu se destacar ainda mais.
Quanto a ganadarias, o toiro que mais me encheu o olho a nível de apresentação foi o sétimo toiro da tarde, São Martinho, apesar do prémio ter sido entregue à ganadaria Canas de Vigouroux, bem entregue também.
Em termos de bravura, e se tratando de premiar algo pelo seu desempenho e destaque acima da média, sinto que o prémio não deveria ter sido atribuído, nenhum demonstrou uma bravura merecedora de prémio e exaltação.
Ganhou a ganadaria Murteira grave, se no prémio de melhor lide achei que foi entregue pela comemoração da tarde, neste caso sinto que o mesmo foi entregue pela extraordinário ganadaria que já nos habituou a ser, contudo não poderei dizer que foi justo.
Os prémios desta tarde foram todos muito peculiares e de várias interrogações, vejamos isso mesmo quando agora falamos das pegas.
Abriram praça os amadores da Tertúlia Tauromaquica do Montijo, o grupo apresenta-se com muitos jovens, teve uma tarde linear e estiveram em boa nota a nível geral.
A primeira pega foi cara o forcado George Malagão, ao qual peço desculpa desde já, de ter faltado no iniciar desta escrita, mas foi de facto um erro ao passar a minha opinião e nem me tinha apercebido, agradeço ao aficionado que me alertou.
Foi ele sim a abrir praça, na primeira tentativa ao receber o toiro não o fez da maneira mais correcta, à segunda tentativa conseguiu uma boa pega, com o grupo a ajudar de forma coesa.
Armando Costa, pega o segundo da ordem do grupo,pega correcta, forcado da cara a cumprir os tempos da pega, um toiro a bater que teve pela frente um bom forcado da cara assim como bons ajudas, era sem dúvida o merecedor do prémio da tarde.
A terceira pega ficou a cargo do forcado João Paulo que saiu magoado, aqui o forcado não esteve no seu melhor, adianto-se e isso foi crucial para a não consumação da pega. Foi dobrado pelo forcado Paulo Carvalheira, que esteve bem e conseguiu os aplausos do público com o que desempenhou em praça.
Por último e na minha opinião o forcado que mostrou os tempos correctos de uma pega, a calma a falar ao toiro, o recuar no momento da reunião que se exige e o reunir de forma exemplar foi Pedro Tavares, um forcado acima da média, não atribuía o prémio a esta pega porque sendo a última estavam os dois grupos em praça, contudo o Pedro Tavares mostrou como um forcado da cara deve pegar toiros.
Salientar que a Tertúlia Tauromaquica do Montijo mesmo com miúdos muito jovens conseguiu corrigir algo que tinha mesmo que ser corrigido, no passado iam aos toiros (na primeira tentativa) como se da terceira ou quarta tentativa se tratasse.
Nesta tarde estiveram correctos, calmos e com boa leitura do oponente.
Que assim continuem.
Em praça os amadores do Montijo foram um grupo muito fraco no que a ajudas diz respeito, um grupo a abrir demasiado, a permitir os forcados da cara chegarem às tábuas praticamente sozinhos.
A primeira pega da tarde esteve a cargo do grande forcado Hélio Lopes, pegou à segunda tentativa, um toiro a derrotar, uma boa pega, no que ao forcado da cara diz respeito.
A segunda pega da tarde ficou a cargo do cabo José Suissas, excelente forcado como todos sabem, ele esteve exímio, que grande par de braços, desde o momento da reunião até às tábuas foi um valente, sem grupo a ajudar, conseguiu aguentar os derrotes do toiro.
Pega com mais "espectáculo" porque lá está ele ficou sozinho na cara do toiro, quando o mesmo fugiu das tábuas foram vários os forcados a entrar na arena, até o cavaleiro Gilberto Filipe decidiu rabejar o toiro.
Completamente desnecessária esta atitude, cada um tem que saber o seu lugar, não era momento para tal, e foi um pequeno quadro de miséria a meu ver.
Repito que o cabo José Suissas esteve um valente e merecedor de aplauso, todo o resto, nem pensar.
Agora é o momento de abrirem a boca de espanto, foi esta a pega a ganhar o prémio.
Não é esta a essência do forcado amador, não são estes os prémios que se devem receber com uma jaqueta vestida e com este desempenho, de um grupo.
Uma pega é realizada por 8 elementos, não se pode entregar um prémio, DE MELHOR PEGA, a uma pega realizada com o grupo a abrir, com o forcado da cara a ficar sozinho e ainda para mais com o que já foi relatado anteriormente.
Secalhar sou eu que sou muito exigente, e aprendi a ver toiros de outra maneira.
A nível geral os amadores do Montijo tiveram uma tarde triste em desempenho, ficaram muito aquém do que se esperava na sua terra.
Há muito a melhorar, muito mesmo.
A última pega esteve no leme o forcado Filipe Santiago, um toiro que entrou com pata ao forcado e onde o mesmo não conseguiu na primeira tentativa consumar a mesma.
Como disse os amadores do Montijo precisam de analisar tudo o que se passou nesta tarde, outras tardes e noites vão surgir com toda a certeza e é através do erro que também aprendemos a correr atrás da eficácia.
Deixar aqui umas linhas de aplauso aos campinos António José e Fábio Rocha, que honra é ver o recolher dos toiros aos curros.
São uma classe que passa despercebida. Muitos aficionados fazem tudo no momento da recolha menos assistir à arte que ali se apresenta.
É o trazer do campo à arena, é mostrar que sem campinos não há festa, gostava tanto que o aficionado fosse atento ao momento da nossa campinagem e lhe desse mais valor.
Estiveram muito correctos, profissionais e sérios no desempenho das suas funções, o meu aplauso aos dois.
Referir ainda que no início da corrida se cumpriu um minuto de silêncio em memória do Sr. Alfredo Vicente (pai de Luís Rouxinol) e do Sr. Manuel Fernandes (eterno capitão do Sporting Clube de Portugal).
Concluo parabenizando a empresa, e também deixando um alerta, se assim o quiserem receber, comecem a ver o que os artistas deixam em praça, a sua entrega, dedicação e respeito para com vocês mesmos e para com o público.
Fico feliz dos aficionados terem vos brindado com a sua presença, são eles os merecedores de todo o respeito.
Sinto que houve pouco respeito com a empresa, irem apenas para ganhar o deles não é correcto para quem os contrata.
Assim foi no Montijo.
Vivam para a festa e não dela e acredito que melhores exibições começamos a ver nas nossas praças.
Foto do exemplar Fotógrafo António Vaz Paulo
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